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Diferenças na arquitetura

Diferenças na arquitetura interna, ou seja, no projeto do processador e na quantidade de transístores que o formam, também determinam em quais operações um processador será mais rápido. Basicamente, um processador desempenha dois tipos de operações diferentes: as operações envolvendo números inteiros e operações de ponto flutuante (que envolvem números fracionários e operações aritméticas mais complexas).

As operações envolvendo números inteiros são feitas pelo núcleo principal do processador, enquanto as envolvendo números fracionários são feitas pelo coprocessador aritmético.

Programas de escritório e Internet, como o Word, Excel, Power Point, Internet Explorer, Netscape e o próprio Windows, utilizam quase que exclusivamente o processamento de números inteiros. Por outro lado, programas que manipulam gráficos, como o Auto CAD, Corel Draw!, Photoshop, 3D Studio, e principalmente jogos que utilizam gráficos tridimensionais, como o Quake utilizam predominantemente cálculos de ponto flutuante.

Alguns modelos de processadores saem-se melhor em inteiros (como os processadores K6, K6-2 e K6-3 da AMD e 6x86 da Cyrix) , enquanto outros são melhores em cálculo de ponto flutuante (como o Pentium II e o Celeron). Ao decidir em qual processador vai investir seu dinheiro, a aplicação à qual o micro se destina deve ser levada em consideração.
Que tal conhecer agora um a um os processadores usados em micros PC?

8088

O 8088 foi lançado em 79 e é uma espécie de irmão menor do 8086, que havia sido lançado pela Intel a uma ano antes. Internamente os dois processadores são idênticos, a diferença era que o 8088 usava periféricos (placas mãe, memórias, HDs, etc.) de 8 bits, enquanto o 8086 usava periféricos de 16 bits, que apesar de mais avançados eram muito mais caros na época. A fim de baratear o projeto do primeiro PC a IBM optou por usar o 8088.

Na época, o 8088 era considerado um processador bastante avançado: era composto por 29.000 transístores (o Pentium 4 tem 41 milhões), acessava 1 megabyte de memória (um simples 386 já acessa 4 GB) e operava a 4.77 MHz. Lembre-se que estamos falando de um processador com mais de 21 anos, de lá pra ca as coisas evoluíram um pouco :-)

Falando em evolução, só para matar sua curiosidade, o PC original da IBM, lançado em Agosto de 81 possuía apenas 64 Kbytes de memória RAM, um monitor MDA mono de 12 polegadas, usava uma unidade de disquetes de 5 1/4 de apenas 160 KB, e vinha sem disco rígido. O sistema operacional usado era o MS-DOS 1.0. Dois anos depois, foi lançado o PC XT, que apesar de continuar usando o 8088 de 4,77 MHz, vinha com 256 KB de RAM, um disco rígido de 10 MB, monitor CGA e o MS-DOS 2.0.

Mesmo com o surgimento dos micros 286, o XT ainda continuou sendo bastante vendido, pois era mais barato. Fabricantes de clones (micros compatíveis com os da IBM) criaram projetos de micros XTs mais avançados, equipados com processadores 8088 de 8 MHz, discos rígidos maiores e até 640 KB de memória RAM.

286

O 286 foi o sucessor do 8088 nos micros PC. Sem dúvida ele trouxe vários avanços sobre o 8088, era capaz de acessar mais memória (16 MB), já trazia suporte a multitarefa, memória virtual e proteção de memória.
Porém, junto com os avanços veio um grande defeito.

Para acessar os novos recursos era preciso que o processador entrasse em modo protegido. O problema é que uma vez em modo protegido o 286 deixa de ser compatível com os programas de modo real, onde ele se comporta exatamente como um 8088.

Para acessar o disco rígido, gravar dados na memória, mostrar dados no monitor, etc. os aplicativos precisavam do DOS, e o DOS é ate hoje um programa de modo real. Uma vez em modo protegido o 286 deixava de ser compatível como  DOS e não havia nenhuma instrução que o fizesse voltar ao modo real, apenas resetando o micro.

Veja o problema: para criar um simples jogo que utilizasse o modo protegido do 286, o programador precisaria incluir no jogo todas as rotinas de acesso ao disco rígido, memória, etc. já que não poderia utilizar o DOS. Ou seja, para desenvolver um simples jogo seria preciso construir praticamente um novo sistema operacional, algo completamente inviável.

Por isso, apesar dos avanços, os micros baseados no 286 acabavam sendo usados apenas para rodar aplicativos de modo real, que também podiam ser rodados em um XT, aproveitando apenas a maior velocidade do 286. Falando em velocidade, a primeira versão do 286 funcionava a apenas 6 MHz, sendo lançada logo depois uma nova versão de 8 MHz, que foi usada no PC AT. Posteriormente foram desenvolvidas versões de até 20 MHz.

386

O 386 é o que podemos chamar de o primeiro processador contemporâneo, pois apesar de extremamente lento, o 386 já incorpora todas as instruções do conjunto x86, usado pelos programas atuais. Isto significa que tendo um 386 com a quantidade suficiente de memória RAM e espaço suficiente no HD é possível rodar o Windows 95 e a maioria dos programas e até mesmo jogos, claro que extremamente deevaaaagggaaaaaarrr...

Assim como os processadores atuais, o 386 é um processador de 32 bits, capaz de acessar até 4 GB de memória RAM. Claro que na época nenhum micro 386 chegou a ser vendido com esta quantidade de memória, mas o processador já estava preparado para isto.

O 386 também trouxe a solução para o problema do 286 com o modo protegido, incorporando uma instrução que permitia ao processador alternar entre o modo real e o modo protegido a qualquer momento, sem perder tempo. Com isto os programas podiam usar o modo protegido, mas voltar ao modo real sempre que fosse preciso acessar alguma rotina do DOS.

Além do 386 original, chamado de 386DX, a Intel lançou também uma versão econômica, o 386SX, que ao contrário do DX, usava os mesmos periféricos de 16 bits usados pelo 286. Sem dúvida, isto tornava os micros mais lentos, mas ao mesmo tempo permitia usar componentes bem mais baratos. De fato, os micros com o 386SX foram os primeiros PCs da história a custar menos de 1000 dólares, quase metade do preço de um micro equipado com o 386DX.

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